Profecia

Trindade: Nova Luz? (Parte 2)

A Deidade e Pré-existência de Cristo

Consideremos agora a questão de Jesus Cristo. E vamos começar com a famosa declaração em João capítulo 1, quando João introduz seu evangelho: "No princípio era o verbo e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens." Aqui ele claramente diz que Jesus não estava apenas com o Pai, ele era Deus. Ele foi o criador de tudo. O princípio da vida estava nele. Ele não recebeu vida de ninguém.

Voltemos a João, capítulo 8, verso 58. Esta é uma declaração muito importante do que Jesus está fazendo aqui enquanto ele é desafiado pelos líderes judeus: "Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou." Bem, o que isso significa?

O "Eu Sou" e a Autoexistência de Cristo

Voltemos ao livro de Êxodo, capítulo 3, verso 14: "E disse Deus a Moisés: Eu sou o que sou. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: Eu sou me enviou a vós." Logo, o "Eu sou" do Antigo Testamento, Jesus está reivindicando o mesmo nome para si mesmo. Ellen White diz em O Desejado de Todas as Nações, página 469: "o nome de Deus dado a Moisés para exprimir a ideia da presença eterna fora reclamado como seu. Declarara-se aquele que tem existência própria, cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade."

Maravilhosa Graça de Deus, página 43: "Através de todas as páginas da história sagrada, nas quais o trato de Deus com seu povo escolhido se acha registrado, há indícios frisantes do grande Eu Sou. Toda a comunhão entre o céu e a raça decaída tem sido por meio de Cristo. Cristo é o alfa e o ômega, o primeiro e o derradeiro." Então, sempre que lemos sobre Yahvé ou Jeová no Antigo Testamento, estamos lendo sobre Cristo.

Isaías capítulo 40 verso 28: "Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, que é Javé, o criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento, o Deus eterno, que é Cristo, o primeiro e o derradeiro." Do Desejado de Todas as Nações, página 530, temos esta clássica declaração: "Em Cristo, há vida original, não emprestada, não derivada." Evangelismo, página 615: "Cristo é o filho de Deus pré-existente, existente por si mesmo. Afirma-nos que nunca houve tempo em que ele não estivesse em íntima comunhão com o eterno Deus."

A Expiação e a Natureza de Cristo

Agora, Patriarcas e Profetas, página 34 nos diz que "unicamente um ser igual a Deus poderia fazer expiação. Apenas o criador poderia redimir o homem." Se em algum momento da eternidade Jesus tivesse recebido vida do Pai, se sua vida tivesse sido emprestada ou derivada do Pai, se ele fosse dependente do Pai para a sua existência? Então Jesus não seria autoexistente. Ele não seria Deus no amplo sentido. Não seria eterno, nem poderia fazer expiação pela raça caída, nem redimir a humanidade. Esta se torna a questão crucial ao afirmar que Cristo não possui a mesma existência que o Pai. Se Cristo, só mais uma reflexão a respeito, se Cristo não era plenamente Deus, então Deus estaria punindo uma terça parte inocente na cruz. Apenas alguém que é imortal pode oferecer vida eterna ao homem.

O Significado de "Unigênito"

Então, temos a expressão "o unigênito", que na verdade é uma tradução defeituosa. Vamos dar uma olhada no que realmente significa em Hebreus capítulo 11, verso 17: "Pela fé, Abraão, quando foi provado, ofereceu a Isaque. Sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito, seu filho unigênito." Sabemos que Isaque não era o único filho, ele tinha Ismael. Então, a expressão unigênito quer dizer, na verdade, "exclusivo". E é isso que Isaque era: alguém de um tipo único, especial.

Há uma frase interessante em Atos capítulo 13 verso 33: "Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus, como também está escrito no salmo segundo: Meu filho és tu, hoje te gerei." Ele foi gerado dentre os mortos. Esta é uma forma particular de dizer que Jesus é unigênito. Não se refere necessariamente a um começo no tempo.

Função vs. Natureza na Divindade

A natureza da divindade não é o tema central das escrituras, mas onde é discutido revela três seres iguais. Todos existentes desde a eternidade, sendo um em propósito e mente. O caráter de Deus é o foco, não a natureza da divindade. A questão central nas escrituras é a função da divindade: como ela opera. Está sempre em posição descendente do Pai para o Filho, para o Espírito Santo.

O Pai é a autoridade suprema. O filho é o representante visível para os seres criados e o espírito é a presença invisível com todos os seres criados. Cristo sempre dirige a atenção ao Pai. Ele assume um papel secundário e o Espírito Santo sempre dirige a atenção ao Pai e ao Filho. Minha conclusão é que eles são iguais em natureza e atributos, mas diferentes em função e classificação no que se refere aos seres criados.

A Rejeição da Trindade Católica pelos Pioneiros

A trindade, no início de 1800, era uma mistura de Bíblia, filosofia medieval e os concílios da Igreja Primitiva. Havia um grupo chamado Conexão Cristã, que dizia que a trindade era católica e não bíblica. José Bates e Tiago White foram membros da Conexão Cristã, porque a trindade católica aparentemente tornava o pai e o filho idênticos (modalismo).

Eis o que José Bates disse a respeito: "Concluí que era uma impossibilidade para mim acreditar que o Senhor Jesus Cristo, filho do Pai, era também o Deus todo-poderoso, o Pai, um e o mesmo ser. Eu disse ao meu pai: se você pode me convencer de que nós somos um em essência, que você é o meu pai e eu sou o seu filho, e que também eu sou o seu pai e você meu filho, então eu posso acreditar na trindade." Começamos a ver um pouco porque este era um assunto tão desconfortável para nossos pioneiros.

A Ordem de Prioridade de Deus

Deus aparentemente ficou satisfeito em deixar as coisas assim até a década de 1890. Eu acredito que Deus tinha uma ordem de prioridade para introduzir a verdade em nossa igreja. Ele fez isso gradualmente:

  • Na década de 1840: Publicar a palavra.
  • Na década de 1850: Organização da igreja.
  • Na década de 1860: Reforma da saúde.
  • Na década de 1880: Justificação pela fé.

Deus acompanhou a introdução de uma nova verdade para preservar a unidade em sua igreja. O caráter de Deus tinha uma prioridade muito maior do que a natureza de Deus. Ellen White organizou O Desejado de Todas as Nações, em que ela discordava fortemente dos pioneiros sobre a pré-existência de Cristo. ML Andreasen investigou as declarações originais de Ellen White em 1902 e encontrou em sua própria caligrafia que em Cristo há "vida original, não emprestada, não derivada". Isso resolveu a questão para ele.

O Perigo da Alta Crítica e a Escolha Final

A parte mais perigosa hoje é a questão levantada por alguns: se Ellen White realmente escreveu tudo o que foi publicado. Veja, sempre que encontramos algo em seus escritos que contradiz nossas crenças e tentamos colocá-lo de lado, estamos praticando a alta crítica. Isso torna seus escritos sem efeito. Nossas crenças têm prioridade sobre a inspiração.

O que é a essência das igrejas de Babilônia? Aqui está uma declaração de alguém: "Ellen White foi inspirada em quase todos os seus escritos, mas ela ou alguém mexeu nos seus escritos." Quando fazemos isso, escolhemos o que estiver de acordo com nossas opiniões. Todos teremos que escolher entre a autoridade de Deus e a autoridade dos homens.

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👉 Estudo feito pelo Pr. Dennis Priebe

- Essencialista

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